

Ou se ganha ou se perde
Um conto escrito por Bruno Nogueira Tôrres
Gordon Brake, um jovem de classe média se olha no espelho. Logo se vira... tinha medo.
Seu pai o grita da sala e ele corre, estava atrasado para a escola.
Corre para mesa de café e se senta.
- O que pensa que está fazendo? Já para o carro!
- Só um pouco de café pai...
- Vai pro carro! - Grita novamente.
Ele fecha os olhos firmemente, e grita interiormente.
- Meu Deus! Socorro! - Grita o pai com o casaco em chamas.
- Pai! O que eu fiz? Pai!
- Socorro! - Grita o homem se debatendo no tapete.
O supermercado está lotado, as pessoas transitam freneticamente entre as prateleiras.
- Phoebe! Dá para ir mais devagar?
- Desculpe maninha! Pra mim era você que queria esses ingredientes pra ontem!
- Mas é para um bolo. Não vamos destruir nenhum demônio com isso...
Pelo menos espero que não. - Sussurra Piper no ouvido da irmã.
Gordon entra no mercado, precisava comprar alguns remédios e alimentos.
Phoebe puxa uma caixa quando repentinamente tudo vem em cima das irmãs. Como num reflexo, Piper congela o tempo.
- Óh meu Deus! Eu congelei o tempo em um supermercado! Nunca tinha feito isso em um lugar tão grande!
Tão cheio de pessoas! E agora?
- Descongele!
- Eu não quero que tudo caia em cima de mim!
- É só arredar pra trás!
- Mas e as câmeras de vigilância do mercado?
- Piper, por que você sempre tem que lembrar da parte complicada?
Repentinamente uma voz estranha interrompe a conversa das duas.
- Porque todos estão paralisados, menos nós três? - Pergunta Gordon.
Prue abre um velho baú, há muito tempo esquecido no porão.
Ao abri-lo encontra uma pequena caixa com um cadeado. Na tampa, o mesmo símbolo da capa do livro das sombras.
Ela se arrepia. Procura a chave, em vão.
- Phoebe? Piper? Prue? Alguém em casa?
Prue se levanta e corre para a sala.
- Óh, Prue, ainda bem que está aqui.
- Morris, como vai?
- Bem, é que... encontrei esta foto sua na antiga gaveta do Andy e achei que...
- Obrigada. - Fala ela forçando um sorriso.
- Eu... já vou. Qualquer coisa sabe como me encontrar.
- Ok.
Ela ainda o abraça antes dele sair pela porta quase sem fazer barulho.
Olha novamente para o porão, precisava de saber o que havia dentro daquela caixa.
Mas o que estaria ali, tão bem guardado?
As latas caem e todos voltam a se mover.
- Piper!
- Eu... me assustei com o garoto.
- Quem é você? - Pergunta Phoebe olhando fixamente para o garoto.
- Sou Gordon, mas acho que fiz uma pergunta antes.
- O que ouve aqui? - Pergunta um homem bem vestido se aproximando.
- É... um acidente. - Fala Piper.
- É, um acidente. Eu... puxei a caixa e pluft! Caiu tudo!
- Pluft...?
- É. Pluft. - Sorri ela.
- Olha, pagamos tudo se estragar alguma coisa e...
- Não, tudo bem. Vou pedir para alguém vir aqui.
- Já que é assim... se me der licença... - Fala ela puxando Gordon pelo braço.
Phoebe não se move, continua olhando para o homem.
- Phoebe? Pode vir conosco? - Fala Piper em um tom agressivo.
- Ok. Mas ele é tão bonitinho. - Susurra ela enquanto é puxada.
- Então? Vão me responder ou não?
- Vamos dizer a ele!
- Enlouqueceu Phoebe?
- Piper... se ele não congelou quer dizer que ele também é um bruxo.
- Bruxo? Como é? - Pergunta ele.
- Ok. - Piper para o tempo novamente.
- O que você...?
- Nós duas somos bruxas, e eu posso parar o tempo.
Se você não está congelado quer dizer que também é. Entendeu? - Descongela novamente.
- Eu... não. Mas isso pode explicar muita coisa...
- Você... não sabia que era? É isso? - Pergunta Phoebe.
- Sim... quer dizer, não. Não sei. Tenho que ir... isso não é certo.
- Espere, onde você vai?
- Podem ficar tranqüilas, eu não conto pra ninguém. - Fala ele antes de correr.
- Mas...
- Já foi.
- Veja, ele deixou cair a carteira. Vejamos...
- Phoebe! Não mexa nisso.
- Ok. Foi só curiosidade...
- Vamos fingir que nada aconteceu e voltar pra casa! Na saída deixamos no achados e perdidos.
Prue finalmente abre a caixa com um pé de cabra. Há uma folha dentro.
- Toda essa segurança por causa de uma folha?
Ela observa, parece ter sido arrancada do livro das sombras.
Corre para o sótão enquanto lê o título: Ressuscitando um humano normal.
Pensa em Andy. Mas por que aquela folha havia sido arrancada?
A resposta a sua pergunta vinha logo abaixo.
" ... só se deve usar este feitiço em último caso, pois o ressuscitado não voltará normal,
poderá mudar de personalidade e podendo levar até a uma ferida permanente na alma...".
Valia a pena correr o risco?
Ela se senta, não sabe o que fazer...
O homem bem vestido que antes presenciara o incidente das caixas, agora entra em uma sala cheia de monitores.
- Por favor, eu quero que encontre pra mim a imagem de uma queda de uma pilha de caixas,
mais ou menos quinze minutos atrás, no corredor quinze.
- Sim senhor.
O operador volta a fita, até encontrar. Do nada, um segundo depois da queda, aparece o menino que antes não estava ali.
- Amplie a imagem do garoto.
- Mas como é possível...?
- Não pergunte, apenas faça.
- Ok.
- Agora imprima. E é só questão de tempo.
Piper vai passando as compras atentamente acompanhando os valores no caixa.
Phoebe despistadamente, abre a carteira do garoto e começa a retirar as coisas.
Porém, ao retirar uma pequena foto, tem uma visão.
- Piper, rápido! Temos que procurar o gerente.
- Quem? Aquele que você achou bonitinho? Tenha dó Phoebe! Estou com pressa...
- Não é isso.
- O que é então?
- Eu tive uma... você sabe. - Fala ela fazendo gestos.
- Óh meu Deus! O que você viu?
- Ele... é um... você sabe.
- Ele é?
- Sim, e vi ele matando o garoto.
- Temos que correr. Por favor, como podemos falar com o gerente? É urgente. - Fala Piper ao caixa.
- Um momento, vou chamá-lo.
Prue se levanta, estava decidida. Coloca o papel sobre o livro das sombras e começa a ler os itens. Porém a folha voa.
- Vovó, eu sei que é a senhora. Por favor, eu preciso fazer isso.
Nada, a casa está em silêncio.
Ela corre e pega a folha novamente, já juntando os ingredientes.
A folha voa novamente.
- Prue, não. - Agora ela ouve a voz de sua avó.
- Você não entende? Eu sou culpada pela morte dele! Por isso eu tenho que traze-lo devolta!
Com um giro no indicador, ela faz com que a folha volte a ficar em frente a ela.
- Agora nada vai me interromper.
O telefone toca. Ela suspira e corre para atender.
- Prue! Precisamos da sua ajuda, procure com o Morris tudo sobre um garoto chamado Gordon Brake.
E principalmente onde ele mora. É urgente.
- Piper você estão bem? Onde você estão?
- No transito, indo pra casa e...
- Rápido Prue! - Fala Phoebe pegando o telefone.
- Ok. Vou ver o que posso fazer.
Phoebe desliga o telefone.
- Devia-mos saber que o caixa iria dizer que o gerente havia saída. Perdemos muito tempo esperando.
- Pelo menos tentamos! Agora é torcer para Prue conseguir alguma coisa. Seria muito mais fácil ele ter o endereço na carteira!
- Notou algo diferente nela?
- Na carteira?
- Não, em Prue. Ela parecia... estranha.
- Não, Phoebe. Tomara que não seja nada.
Passam-se alguns minutos, e as duas entram em casa.
- E então Prue? Achou?
- Sim, vamos lá. O endereço está aqui. Morris não queria falar, mas depois acabou cedendo,
o garoto tem problemas na escola e na família. Seu pai sofreu combustão espontânea mês passado.
Mas me digam, o que estamos tentando evitar desta vez?
- O de sempre, um demônio querendo matar um bruxo.
- Mas como sabem que ele é um bruxo?
- É uma longa história. Contamos no caminho.
- E como vamos deter o demônio? Não sabemos como ele é. Como parecia em sua visão?
- Ele tinha os olhos diferentes e parecia sugar algo do garoto pela mãos.
- Ok, Piper congela e eu o acerto. Depois usaremos o poder das três.
- Ok.
Gordon ouve um alguém bater na porta. Como está sozinho em casa corre para atender.
- Sim?
- Lembra-se de mim? Sou o gerente o mercado...
- A claro, você veio trazer minha carteira?
- Carteira? A sim... posso entrar.
- Claro.
- Mas além de entregar a carteira... eu queria lhe pedir uma coisa.
- Pode falar.
- Quero o seu poder bruxo! - Fala ele mudando a voz e a cor dos olhos
Gordon grita e corre em direção a escada. Mas o demônio o impede.
- Só quero encostar em você!
- Não! - Gritando ele faz com que a roupa do estranho ser comece a pegar fogo.
- Ah! Maldito bruxo! Eu vou te matar!
- Acho que não. - Fala Prue estourando a porta.
- O que?
- Piper, agora! Grita Phoebe que corre para proteger o garoto.
O tempo é congelado. Prue manda uma cadeira na cabeça do ser.
O garoto observa em pânico. O tempo descongela.
- Todas juntas! - Grita Prue.
- O poder das três nos libertará! O poder das três nos libertará.
- Malditas bruxas. - Fala o ser se levantando.
- Não está dando certo! - Grita Phoebe.
- Continuem. - Grita Prue.
- O Poder das três no libertará.
O garoto olha para elas e fecha os olhos.
Repentinamente, o ser fica em chamas novamente, porém agora mais forte.
- O poder das três nos libertará!
- Ah! Não...
- O Poder das três nos libertará.
O fogo cessa. O ser explode e vira cinzas. O garoto cai de joelhos.
- Gordon? Você está bem? - Pergunta Piper.
- Sim.
- Está mesmo?
- Não sei
- Como assim?
- Me sinto como... nunca senti antes. Parece que estou livre.
- Como assim? - Pergunta Prue.
- Sempre tive medo dos meus... disso que eu faço de colocar fogo em tudo. Sempre feria as pessoas que eu amava.
Mas parece que hoje descobri que para me sentir bem, a única coisa que eu preciso é soltar isso e fazer o que é certo.
Prue engole seco.
- Tudo terminou bem. Agora, vamos correr que eu quero fazer meu bolo! - Fala Piper.
- Vamos... Gordon, aqui está nosso telefone. Qualquer coisa... Mas acho que agora que perdeu seu medo poderá ser diferente.
- Vocês conseguem?
- O que?
- Sempre conviver com isso.
- Bom...
- É...
- Sim, tentamos sempre fazer o que é certo Gordon. Pensar sempre nos outros além de nós mesmos. - Fala Prue séria.
Phoebe sorri e olha para Piper, que não diz nada e apenas concorda com a cabeça.
Prue entra no sótão e encontra a caixa e o cadeado inteiros ao lado da folha e do livro das sombras.
Apenas a coloca devolta e tranca o cadeado.
- Fez a coisa certa querida. - Fala a avó juntamente com uma leve brisa.
- Acho que sim. - Concorda Prue saindo com a caixa.
- Com quem estava falando? - Pergunta Piper.
- Com ninguém... sozinha.
- E esta caixa?
- Bobagem, vou leva-la novamente ao porão. De onde nunca deveria ter saído.
- Eu... perdi alguma coisa? - Pergunta Phoebe chegando na escada.
- Não. Acho que hoje nós só ganhamos. - Conclui Prue.