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The Power of One
Um conto escrito por oggy & tula (Rodrigo de Souza)

 

	Prue estava ajoelhada no cemitério diante do túmulo da mãe. Havia limpado o
local e agora, sob a lua cheia, decorava-o com flores brancas, a cor que a
mãe mais gostava. Ventava bastante e ela não poderia ficar mais tempo ali.
- Em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo, amém.
Levantou-se, vestida de preto. Ouviu alguns gritos não
muito distantes. Mais à sua frente, uma senhora era atacada.
Tudo ocorreu com rapidez. Um homem a mordeu e ela caiu
no chão. O homem fugiu para a escuridão e Prue correu para ajudá-la.
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	 Na mesa da cozinha, enquanto jantava, Phoebe dizia:
- Ora, Piper, não vai custar muito!
- Pra você, que não vai pagar um tostão. Eu estou
trabalhando duro, Phoebe.
- Eu sei. É pelo bem de todos. Deixe eu me inscrever
no curso!
- Tudo bem, você conseguiu.
- Obrigada, minha irmã. Vou aprender tudo o que a
professora falar e transmitir pra vocês depois. Esse curso de Bruxaria nos
guiará, você vai ver.
Prue chegou em casa, e uma mulher a seguia.
- Prue? Quem é ela?
- Não sei. Foi atacada no cemitério por um vampiro e
está aqui para contar melhor essa história. Comece pelo seu nome.
Ela se sentou.
- Suzan. Suzan Marie. Fui atacada por um vampiro.
- Isso explica a marca no pescoço.
- Exato. Mas eu não fui atacada à toa. Na verdade, quem
começou a perseguição fui eu.
- Você?!
- Há duas semanas eu venho seguindo esse homem. Desde o
princípio desconfiei que fosse um demônio, mas descobri que, quando a lua
está cheia, ele adquire caninos pontudos e sai em busca de sangue.
- Por que fez isso?
- É meu dever. Sou uma bruxa.
As três ficaram surpresas.
- Eu sei que isso assusta à vezes, me desculpe. As
pessoas têm preconceito, eu entendo.
- Não... Nós também somos bruxas.
- Ótimo! Então vocês vão poder me ajudar. Vejam: eu
tinha um poder. Conseguia fazer um objeto desaparecer e reaparecer. Depois
da mordida, não consegui mais.
- Eu tenho uma teoria.
- Vá em frente, Prue.
- Estamos falando de um demônio. Um que tira seus
poderes com mordidas no pescoço. Não é um vampiro.
- Concordo. Não tenho mais como recuperar meu poder.
Não sirvo mais para perseguições. 46 anos pesam nessas horas.
- O que vamos fazer para detê-lo, indagou Phoebe.
- Eu tenho uma idéia. Eu sei onde ele mora, pois o
segui, como disse. Se uma de vocês fosse lá, seria tão arriscado quanto foi
para mim, e o poder poderia ser perdido. Mas eu já perdi o meu. Ele não vai
me morder de novo. É aí que vocês entram.
- O que está sugerindo?, questionou Piper.
- Poderia matar o demônio se vocês transferissem seus
poderes para mim.
As três se entreolharam.
- Certo. É para uma boa causa. Se formou pessoalmente,
será pior., disse Prue.
- Vamos subir?, convidou Piper.
- Subir???
- É. Lá encima normalmente fazemos os feitiços.
- Gosto de fazer ao ar livre, na casa de campo dos meu
pais!
	Todas elas subiram e Phoebe fechou a porta do sótão. Prue abriu o Livro das
Sombras. Na primeira página havia o feitiço que as fez adquirir os poderes.
Na Segunda, mostrava-se como passar os poderes para outra pessoa.
	Piper colocou um caldeirão no centro. Colocou madeira e um fósforo no seu
interior, fazendo uma fogueira no caldeirão, como dizia no Livro das Sombras.
Phoebe trouxe um cálice com vinho e cada uma bebeu um gole. No fim, o
restante foi jogado na fogueira. O cálice foi colocado na estante. Enquanto
isso, a senhora ia varrendo o  local, para espantar as impurezas. Prue
ascendeu uma vela vermelha e uma roxa.
- Prontas?
De mãos dadas em volta do caldeirão, as bruxas se
concentraram. Prue leu:
- “Que o poder seja passado
e para sempre seja proferido.
Seguindo o juramento sagrado,
Que o poder das 3 seja transferido.”
Do caldeirão saíram três bolas azuis e radiantes, que
flutuaram até parar em Suzan.
Todas ficaram satisfeitas pelo feitiço Ter dado certo.
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	Phoebe estava num jardim espaçoso, formando um círculo com outras muilheres.
A maioria era jovem, e uma delas falava:
- A Bruxaria é uma religião de origem Xamânica e forte
tradição mágica, mas é bom lembrar que Xamanismo e Magia são técnicas
espirituais, ou seja, para ser Bruxa não é preciso ter poderes paranormais
ou fazer magia.
Phoebe ouvia com atenção, interessada em se aprofundar
no assunto o quanto cedo.
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	O sol se pôs, veio a noite e o sol retornou.
- Bom dia, Piper.
- Bom dia, Prue. Quer café?
- Bastante.
- Preparei panquecas. Aqui está o mel que você gosta.
Tome.
- Alguma notícia do demônio?
- Aquele que parece vampiro? Não, acho que ele já foi
derrotado, ou quase.
- Eu vou ligar pra ela. Onde está o número?
- Ela anotou aqui.
Prue discou.
- Alô, Suzan se encontra?
- Suzan? Não, você ligou para o número errado.
- Não há nenhuma Suzan aí? Não é 555-1529?
- Exatamente.
Prue desligou.
- Eu não acredito.
- Em quê, Prue?
- Ela nos deu um número falso.
- Suzan?
- Ela nos enganou.
- Como? Você mesma disse que viu ela ser atacada!
- Acredito que ela tenha gostado dos nossos poderes,
matado o demônio e pronto. Está movendo objetos, parando o tempo e tendo
visões.
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	Num Apartamento inacabado, com móveis cobertos e pintura a ser feita, a
senhora descascava a maçã. A campainha tocou.
- Entre.
- Pegou os poderes?
- Sim.
- Finalmente! E sem precisar lutar! Graças apenas a uma
mentira muito bem bolada. Aquele ataque simulado na frente dela foi uma
ótima idéia.
- Foi.
- Como foi combinado, é hora de me dar a metade dos
poderes.
- Não.
- Como?
Ela moveu a faca que descascara a maçã até o coração do
demônio, que caiu no chão sem movimentos.
Ela moveu a faca até sua mão. Veio melada de sangue, mas
foi limpa pela língua da senhora, que degustou o sabor da vitória.
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	Piper estava na cozinha e Leo estava na  sua cabeça. Seu sorriso e seus
olhos não haviam deixado ela em paz o dia inteiro.
	Ao se virar, deixou cair uma bandeja de copos no chão. Os cacos se
espelharam pelo chão, apesar da sua tentativa de parar o tempo.
	Irritada, atravessou os cacos, subiu a escada e entrou no sótão. Abriu o
Livro das Sombras e leu o feitiço que se encontrava na primeira página, com
o qual havia adquirido os poderes. Esperava recebê-los de volta, o que não
ocorreu.
- Prue- disse ela ao telefone-, eu tentei receber os
poderes de novo lendo aquele feitiço inicial e não consegui!
Do seu escritório, Prue respondeu:
- É claro, Piper! Ele só pode ser lido uma vez por
geração. Queria que houvessem cópias das Encantadas por aí?
- Meu Deus! A gente não tem mais poder!
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	Sherva, em seu apartamento, treinava o uso dos poderes. Havia transportado
o corpo do demônio para uma enorme lata de lixo que havia debaixo do prédio.
Em pouco tempo, terminara de pintar todas as paredes.
	Ao entrar na varanda, notou que um gato estava lá. Era cinza e tinha uma
coleira diferente. Uma gata, na verdade.
- Vou te chamar de... Suzan.
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	No sótão, as três pensavam num plano para voltarem a ter os poderes.
- O pior é que não sabemos onde ela está!
- Vamos ter calma Ela pode estar tentando matar o
demônio.
- E pra quê mentiria?
- Gente, se ela tem o poder, vai querer o Livro das
Sombras.
- Como ela iria saber a respeito, Phoebe?
- Eu acho muita coincidência uma bruxa ser atacada por
um demônio exatamente na sua frente, num cemitério e querer matar loucamente
um demônio que não faria mal a ela se ela não o tivesse invadido a
privacidade. Ela sabia que éramos bruxas.
- Continue.
- Consequentemente, deve saber que temos o Livro das
Sombras. Com ele, ela tem acesso a conhecimentos muito antigos,
importantíssimos para realizar suas vontades.
- Então ela vai voltar!
- Deve estar esperando o momento certo. Eu tenho um
plano.
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	Anoiteceu, e as três irmãs saíram de carro destinadas a dar início ao plano
de Phoebe. Aproveitando a oportunidade, Sherva entrou na casa das Halliwel.
Moveu a fechadura, atravessou a sala, subiu a escada. No sótão estava o
Livro das Sombras. Pegou-o e partiu, com um sorriso nos lábios.
	Entrou em seu carro, colocou o Livro no banco ao lado e deu partida, sem
notar que estava sendo seguida.
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	Chegando em seu apartamento, Sherva abriu o Livro. Na primeira página havia
um feitiço chamado “Poder Eterno”.
	Animada com a idéia de nunca mais perder os poderes, leu
- “Sob a terra, no fundo do mar,
queimando no fogo ou pairando no ar
devolvo o parar, o fazer e o pensar
a quem foi dado, não roubado.”
Prue abriu a porta do apartamento e as três entraram.
Cada uma recebeu o poder de volta.
- Ei, o que é iss...
Piper paralizou o tempo. Phoebe agarrou Kit e Prue pegou
o Livro das Sombras.
- Vamos embora.
A porta se fechou.
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- Piper, recebi o certificado de Bruxa!
- Parabéns. Foi muito inteligente ao incluir um falso
feitiço para ser lido por ela.
- Obrigada, Piper. Agora... já se passaram cinco dias
desde que você congelou aquela senhora. Você descongelou?
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	Prue estava novamente à frente do túmulo da mãe. Renovou as flores. Passou
levemente o dedo sobre o nome da mãe, tentando senti-la. Colocou uma vela e
tentou ascender, mas o vento forte impedia. Procurou ascender mais cinco
vezes até desistir. Era impossível. O vento ficou mais forte.
	Ajoelhada, olhou para o céu escuro.
- Em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo, amém.
Ergueu-se e deu as costas. Ia descansar em casa.
Em meio à ventania, a vela ascendeu.
***
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